Quando comecei a fotografar artistas e intelectuais, percebi rapidamente que não estava atrás de uma "essência" — daquilo que supostamente eles são. O que me interessava, na verdade, era o que acontecia entre nós no momento do retrato. Algo que não se deixa extrair, mas que se negocia no olhar, no silêncio, na disposição dos corpos.
Se há um fio que costura esse conjunto, é este: a fotografia como lugar de encontro e de pensamento — um gesto em que o cotidiano e o conceitual deixam de se opor.
Passei a entender o retrato não como captura, mas como encontro. E, como todo encontro, ele se faz de imprevistos. O que a imagem sustenta não é uma verdade oculta por trás do rosto, mas o que emerge na superfície — na pele, no gesto, na maneira de ocupar o espaço. Uma inscrição de tempo. Ou de pensamento em ato.

Fotografia e pesquisa visual: Fabiano Lopes
Série documental realizada em Montes Claros, Minas Gerais
Processo: Convivência e observação documental
Ano: 2008/2022
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