A trajetória de Elthomar Santoro Júnior atravessa a cultura popular do Norte de Minas como presença intensa e contraditória. Músico, dramaturgo, compositor e agitador cultural, construiu uma obra marcada pela irreverência, pela crítica social e pela força poética que transformava experiências ordinárias em memória coletiva. 
Entre o afeto e o excesso, sua existência foi também atravessada por conflitos, pelo alcoolismo e por um temperamento áspero que muitas vezes tensionava suas relações pessoais. 
Este ensaio fotográfico e o documentário inacabado nascem de um lugar inevitavelmente afetivo. Elthomar foi meu tio, mas também amigo, referência artística e uma das primeiras pessoas a influenciar profundamente minha percepção sobre arte, cultura e vida. Foi ao seu lado que realizei meus primeiros trabalhos culturais, ainda muito jovem, compartilhando processos criativos, deslocamentos e longas conversas na casa de minha avó, onde ele vivia e onde grande parte dessas memórias se sedimentou. As imagens reunidas aqui não buscam construir um retrato definitivo, mas preservar a presença fragmentada e humana de alguém que marcou profundamente aqueles ao seu redor. O caráter inconcluso deste trabalho — interrompido por sua morte prematura e pelas próprias complexidades da convivência — talvez seja também parte de sua verdade: uma memória aberta, atravessada por admiração, conflito, ausência e permanência.
Fotografia e pesquisa visual: Fabiano Lopes
Ensaio documental realizado em Montes Claros, Minas Gerais
Processo: Convivência e observação documental
Ano: 2008
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