Este fotodocumentário é o resultado de uma imersão nas entranhas de uma cena que se recusa a ser domesticada. Através destas páginas, a fotografia documental deixa de ser apenas um registro de eventos para se tornar o testemunho de um ritual contínuo, onde o ruído visual e o grão da imagem traduzem a crueza sonora do Black Metal. Cada disparo captura a evolução de uma estética visceral, documentando como o couro, o metal e o corpsepaint moldaram a identidade de uma comunidade que encontrou na escuridão o seu próprio modo de resistência e expressão artística ao longo das décadas. 
O que se vê aqui não são apenas músicos e palcos, mas a crônica de um movimento que sobrevive à margem do asfalto e das luzes da cidade. 
Ao catalogar essas sombras acumuladas, este arquivo revela a persistência de uma chama que arde no underground, transformando o efêmero dos shows em uma memória tátil e permanente. Este trabalho é um convite para olhar através da névoa e do caos, reconhecendo no silêncio de cada fotografia o eco eterno de um gênero que desafia o tempo e celebra o abismo.

Pesquisa visual, fotografia e edição: Fabiano Lopes
Território de pesquisa: Montes Claros, Minas Gerais
Processo: Imersão documental e observação participante
Ano: 2015–2018
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