Os concursos de marcha no interior do Brasil transcendem a dimensão esportiva para se configurarem como rituais de reiteração de identidade e prestígio social. Nessas arenas, o cavalo não é meramente um semovente, mas um símbolo totêmico que condensa valores de "ruralidade", "nobreza de lida" e "herança patriarcal".
O evento funciona como um fator de coesão comunitária, onde a técnica da marcha — uma busca pela harmonia e pelo "conforto" do cavaleiro — espelha o ideal de domínio civilizatório sobre a natureza bruta.
Entre os estalidos dos cascos e o vocabulário técnico compartilhado, estabelece-se um espaço de sociabilidade densa, onde alianças políticas são seladas e a memória coletiva é performada, reafirmando a hierarquia e o pertencimento em um cenário onde o progresso urbano ainda dialoga profundamente com as raízes agropastoris.
Fotografia e pesquisa visual: Fabiano Lopes
Ensaio documental realizado em Montes Claros, Minas Gerais
Processo: Convivência e observação documental
Ano: 2016
Ensaio documental realizado em Montes Claros, Minas Gerais
Processo: Convivência e observação documental
Ano: 2016